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4 – Princípio da igreja como comunidade local , democrática e autônoma
A palavra igreja provém do grego ekklesia (ek = fora ; Kaleo = chamar, portanto, chamar para fora ). Ekklesia era a assembléia de cidadãos convocados para o espaço público para decidir assuntos de interesse de sua polis, ou cidade.
Ekklesia, portanto , é a palavra usada 114 vezes no Novo Testamento grego para se referir à igreja . Segundo estudos de H. E. Dana , EkKlesia aparece 93 vezes , referindo-se à igreja como “ um corpo local organizado segundo princípios democráticos , por propósito de louvor e serviço ”. Os outros 21 empregos de Ekklesia referem-se à assembléia pública . Segundo conclusões de Dana , o conceito básico da igreja cristã no Novo Testamento é uma organização local de crente . Todavia , temos também o uso de Ekklesia no sentido de “ reunião universal dos remidos de todos os tempos ”, exemplificado em Colossenses 1:18; Hebreus 12:22,23 e Efésios 1:22,23.
A eclesiologia batista fundamenta sua prática eclesiástica no conceito de igreja local porque é nela que o crente serve a Deus , ao próximo e à sua comunidade . Segundo a leitura de Atos dos Apóstolos , foi por meio da igreja local que os cristãos primitivos “perseveravam na doutrina dos apóstolos , na comunhão , no partir do pão e nas orações ” ( Atos 2:42). Praticavam a mutualidade no amor cristão ( Atos 4:32-35) e anunciavam a Palavra de Deus ( Atos 5:42; 6:1).
A igreja local, um organismo presidido pelo Espírito Santo, é uma fraternidade de crentes que se batizaram e voluntariamente se uniram para o culto, o estudo, a disciplina mútua, o serviço e propagação do evangelho, no local da igreja e até nos confins da terra.
Além de comunidade local, a igreja tem de ser democrática. Antes de ser democrática, precisa ser teocrática. Teocracia é o governo de Deus, e democracia , é o governo do povo. Podemos afirmar que o princípio de governante para uma igreja local é a soberania de Jesus Cristo. A autonomia da igreja tem como fundamento o fato de que Cristo está sempre presente e é a cabeça da congregação do povo. A igreja , portanto, não pode sujeitar-se à autoridade de qualquer entidade religiosa. Sua autonomia, então, é válida somente quando exercida sob o domínio de Cristo.
A autonomia da igreja local é um brado contra as seguintes formas de governo eclesiástico :
1º O governo monárquico exercido pelo papa que se supõe infalível . Abaixo dele há uma hierarquia, sob a qual está a comunidade local, a paróquia, que não tem voz nem vez. Hoje, algumas igrejas evangélicas estão caminhando para esse governo eclesiástico no qual o “ papa ” da denominação é chamado de bispo ou apóstolo, encastelado sob o manto da “ incontestabilidade ”. Para não dizer “infalibilidade”.
2º O Governo episcopal , que é o governo dos bispos, tal como na igreja episcopal e na igreja metodista . Os bispos são o clero superior e os pastores inferiores.
3º O governo presbiteriano centraliza-se na autoridade dos presbíteros . As decisões da igreja ficam a cargo do pastor e dos presbíteros. É uma espécie de governo representativo. Acima da igreja local há o presbitério ( regional ), o sínodo e o supremo concílio.
Não se deve confundir o conceito de igreja com o de reino de Deus ou o reino dos céus . Reino , do grego basiléia, que significa governo , reinado enquanto igreja . Reino de Deus ou dos céus é o reinado ou governo de Deus na vida dos súditos de Deus ou discípulos de Cristo . A igreja não é o reino de Deus , ela está inserida, ela faz parte do reino de Deus , já os discípulos pertencem ao reino como o reino lhes pertence , mas em hipótese nenhuma eles são o reino de Deus . O reino é o domínio de Deus .
5 – Princípio da igreja separada do Estado
A Constituição brasileira assegura “o livre exercício dos cultos religiosos ”, isto significa que vivemos num estado leigo .
Algumas conclusões acerca da separação entre igreja e Estado .
Primeiro, ao Estado cabe apenas a preservação da lei e da ordem para todos os cidadãos, independentemente de sua convicção filosófica, política e religiosa. A imposição do feriado religioso a todos os brasileiros, em 12 de outubro , dedicado à “ senhora Aparecida”, mostra ainda a ligação umbilical entre religião católica e o Estado laico brasileiro. O mesmo erro acontecia se, numa hipótese, um presidente batista, apoiado por uma maioria evangélica, criasse leis favorecendo interesses evangélicos.
Segundo, aos cristãos cabe obediência às leis do país, desde que estas não conflitam com a consciência cristã. Devemos orar pelas autoridades, participando dentro dos princípios bíblicos, da construção de uma sociedade mais ética e justa .
A igreja não deve aceitar favor do estado, principalmente financeiro e em bens patrimoniais, ela deve no máximo, buscar parcerias para desenvolver projetos sociais para a melhoria e o desenvolvimento na comunidade em que está inserida. Se a igreja aceitar favores do Estado, com que voz ela poderá exercer sua independência e soberania? Com que autoridade poderá denunciar a imoralidade e injustiça da classe política? Muitos líderes evangélicos do passado denunciaram o favorecimento oficial à igreja católica no Brasil, antes da proclamação da República e depois quando o catolicismo continuou “ religião oficiosa ”.
6 – Princípio da liberdade religiosa e de consciência
Em nossa constituição de 1988 do 5º artigo parágrafo 6º diz:”É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de cultos e as liturgias ”. O artigo 8º reza que ninguém é privado dos seus direitos devido
à crença religiosa a convicções política e filosófica, a menos que utilize esse direito para fugir de qualquer obrigação legal.
A Declaração Universal dos Direitos Humanos , aprovada pela ONU em 1948, da qual o Brasil é signatário , diz no artigo XVIII: “Todo homem tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião , este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino , pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular ”.
Os batistas consideram como inalienável a liberdade de consciência, a plena liberdade de religião de todas as pessoas. O homem é livre para aceitar ou rejeitar a religião ; escolher ou mudar sua crença ; ensinar e propagar a verdade como entender , sempre respeitando os direitos e convicções alheios; cultivar a Deus tanto a sós quanto publicamente; convidarem outras pessoas a participarem nos cultos e noutras atividades de sua religião. Tal liberdade não é privilégio para ser concedido, rejeitado ou meramente tolerado, nem pelo Estado, nem por qualquer outro grupo religioso, mas é um direito outorgado por Deus.
7 – Princípio da competência do indivíduo e sua responsabilidade diante de Deus
O homem foi criado à imagem e semelhança de Deus como ser racional e moral capaz de tomar decisões por si mesmo, devendo ter sua própria experiência com Deus, livre de toda interferência externa, amparada apenas pelo exame e estudo das escrituras.
Cada pessoa deve-se relacionar-se com Deus por si mesmo, pois essa é a conseqüência de ter sido criado como ser distinto, um indivíduo.
O cristão tem acesso direto a Deus . Por ser competente e responsável não necessita de nenhum intermediário humano . Descarta-se a teoria da “salvação por apadrinhamento” e mediante a intervenção sacerdotal humana tal como no catolicismo. “ Porque há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens , Cristo Jesus, homem ” (1Timóteo 2:5).
John Landers faz três ressalvas importantes sobre a competência do indivíduo .
Em primeiro lugar , a competência do indivíduo não indica que o crente dispensa a igreja . Ninguém deve, sob a bandeira do individualismo, dizer:”Sou batista . Posso ler a Bíblia e tirar minhas próprias conclusões e tenho acesso direto a Deus por Cristo ”. Se fosse assim, Cristo não teria fundado a igreja. A vida cristã é para ser vivida em comunidade, como atesta a leitura do livro de Atos.
Em segundo lugar, ninguém existe fora de seu contexto social. Todos nós somos resultado de uma família e de uma comunidade.
Em terceiro , o cristão não é isento de responsabilidade social . Devemos ser o sal da terra e a luz do mundo, pois há “uma boa base bíblica uma visão do lugar do crente na sociedade ”. |